19/02/2026
Professor que trabalha em duas escolas (ou escola + curso livre/academia) está em situação de concomitância. No INSS, isso tem três efeitos práticos: (1) soma de remunerações por mês, (2) limite pelo teto, e (3) tempo e carência contam uma vez. O problema é que, na prática, muitos docentes acabam pagando INSS acima do teto, sem qualquer ganho no benefício.
Concomitância é ter mais de um vínculo/contribuição na mesma competência (mês). Exemplos:
Duas escolas privadas no mesmo mês.
Rede privada + contrato temporário (RGPS).
Escola + autônomo (RPA/nota) ou MEI, no mesmo mês.
O INSS soma as remunerações daquele mês (salário-de-contribuição de cada vínculo).
Depois aplica o teto previdenciário do mês: tudo o que passar do teto não entra na média e não aumenta o valor do benefício.
Mesmo com dois vínculos, o mês conta uma vez para tempo e carência.
Resumo técnico: concomitância ajuda quando a soma te deixa mais perto do teto em mais meses; atrapalha quando você paga acima do teto ou deixa competência abaixo do mínimo sem complementar.
Cada empregador desconta INSS sem saber do outro vínculo. Se você tem dois salários, é comum:
Empregador A desconta normalmente.
Empregador B desconta normalmente.
Na soma, você ultrapassa o teto e parte do desconto vira pagamento inútil.
O mesmo acontece quando você tem emprego e ainda recolhe como contribuinte individual sem checar a soma do mês.
a) Controle mensal por competência (obrigatório)
Some tudo que entrou no mês (escola A + escola B + RPA/MEI) e compare com o teto.
b) Se também recolhe como autônomo (contribuinte individual)
Ajuste sua base para contribuir só até completar o teto, considerando o que já veio dos empregos.
c) Se usa MEI
Se o emprego já atingiu o teto, o DAS do MEI não aumenta seu benefício. Reavalie se o MEI faz sentido naquele momento, porque pode ser custo sem retorno previdenciário.
d) Se a soma ficou abaixo do mínimo
Esse é o outro extremo: competência abaixo do mínimo pode não contar para carência. Nesses casos, complementar é mais importante do que se preocupar com teto.
Se a professora completou os requisitos antes de 13/11/2019, pode ter direito às regras antigas, que muitas vezes eram mais vantajosas.
Essa análise exige conferência precisa do CNIS e dos vínculos.
Erro comum: acreditar que automaticamente a professora sempre terá a melhor regra possível. Nem sempre é assim.
Para o INSS reconhecer corretamente e não travar o processo:
Holerites de ambos os vínculos em cada competência concomitante.
Declaração do RH com função docente e nível de ensino (infantil/fundamental/médio) quando a regra do professor for relevante.
CNIS saneado (vínculo e remuneração corretos).
Conclusão
Concomitância é comum e pode ser vantajosa se te mantém próximo do teto em mais meses. O risco é pagar INSS a maior, sem ganhar nada, ou perder carência por competência abaixo do mínimo. Com controle mensal, CNIS limpo e dossiê organizado, você transforma a concomitância em benefício, não em problema.